IdentiFI <> Rosana Jamal @ Baita

Atua no ecossistema brasileiro de startups desde 2012 como mentora e investidora. "O empreendedorismo é a chave para a economia do futuro."

Quem é a empreendedora?

Rosana Jamal é sócia da Baita Aceleradora. Sua trajetória até o empreendedorismo é incomum pois tem início no mundo acadêmico. A vida de Rosana pode ser dividida em três etapas: 1) pesquisa - CPqD, 2) executiva - Motorola e 3) empreendedora -Baita. Atua no ecossistema brasileiro de startups desde 2012 como mentora e investidora. Rosana é atualmente professora convidada de Inovação e Empreendedorismo na FGV. É também membro do conselho do IHR - hub de inovação, que tem como objetivo impulsionar novos produtos, serviços e novos negócios a partir do desenvolvimento de tecnologias para mobilidade; e diretora de empreendimentos na ANPROTEC. Gosta de ser desafiada e de desafiar.

Destacando o lado humano:

Sem dúvida, há uma magia por trás dos empreendedores de sucesso; é como se eles fossem sobre-humanos. Tendemos a esquecer que, embora muito talentosos e apaixonados, em sua essência, eles são indivíduos (e humanos) como qualquer outra pessoa. A seguir, destacamos as principais conclusões sobre as crenças, valores e comportamentos empreendedores da Rosana, a pessoa.

💡 Inovação - "Inovação é você usar um novo olhar para resolver um problema real da sociedade, e ser capaz de colocar isso em campo - não é deixar na prateleira. Inovação sem aplicação não existe, não resolve um real problema. Na prateleira vira um projeto pessoal, e não acho que é nisso que devemos investir. Temos que investir em inovação de fato e é claro que vão ter aquelas que vão falhar, mas você não pode abandonar uma ideia só porque ela falhou, vejo muitas empresas que enxergam a inovação com data marcada, mas isso não existe, a gente tem que assumir riscos, errar. Infelizmente existem muitas pessoas com a iniciativa de resolver problemas, mas que não resolvem, por isso que eu digo que devemos investir na pesquisa básica, para depois dar um segundo passo. A inovação é ligada à execução de um bom projeto, diferente do que muitas pessoas pensam, que ela é algo para se colocar em um quadro - isso só é bom para o ego."

⛲️ Inspiração - "Meu primeiro chefe, que já faleceu, foi uma grande inspiração. Ele era um profundo estudioso de tecnologia, principalmente aplicada. Era professor mas trabalhava no centro de pesquisas e falava de internet antes dela existir. Lembro quando ele falou "um dia a gente vai ver voz, dados e imagem passando pelo mesmo canal" - que é hoje o Zoom, o Meet, o Teams. Além dele, várias pessoas que me desafiaram, me colocando em situações que eu não queria; eu pensava "isso não é pra mim". Eles percebiam valores em mim que eu não percebia, e depois eu fazia desse limão uma limonada fantástica. Lembro da primeira vez que me fizeram coordenar uma equipe; eu tinha três anos de formada e achava que não gostava de lidar com gente, preferia lidar com meus programas de computação. Acabou que coordenar, trazer pessoas para o meu lado e influenciá-las foi uma das coisas pelas quais mais me apaixonei.''

⭐ ️Ingrediente Secreto - "Aprender é condição de vida para mim. O que entra no convencional para mim não é bom. Sempre busquei atividades que me fizessem crescer de alguma forma. A indignação sempre fez parte da minha vida e isso norteou muitas decisões na minha carreira. Se você não quer aprender, você não faz nada. Não aprendo com livros, aprendo com pessoas. Gosto muito de duas palavras: empatia e legado. A empatia te ajuda a se colocar no lugar da pessoa, você aprende muito com ela. Já o legado fortalece essa relação e você deixa alguma coisa na outra pessoa. Eu estou aprendendo agora nessa entrevista. Da forma que eu aprendo, eu tenho que ter algo concreto para entregar, tem que ser tangível: primeiro eu tenho que aprender na prática para depois me aprofundar na teoria. Como eu não me considero uma criadora, eu preciso aprender para fazer alguma coisa, a necessidade já está colocada para mim."

👀 Maior medo - "Tenho medo de parar de trabalhar, não por causa do dinheiro, mas porque eu não sei o que faria se eu não trabalhasse. Preciso estar em constante atividade. Não consigo me imaginar parada em casa sem fazer nada - eu fiquei doente uma época, estava em tratamento, talvez eu devesse ter parado um tempo, mas eu ficava em casa e trabalhava. Acho que isso se dá pelo exemplo que tenho do meu pai, ele saiu do nada e subiu até um cargo alto, mas se aposentou depois de 40 anos trabalhando na mesma empresa.  Mesmo parado, continua estudando muito. Eu preciso ir um passo além  - colocar em prática."

🎨 Criatividade - "Eu tenho muito orgulho da mudança que eu fiz na vida de algumas pessoas - eu ajudei a crescer profissional e pessoalmente, pessoas que confiaram em mim de alguma forma, tanto em coisas pessoais quanto de família e trabalho. Você sentir que fez diferença na vida das pessoas é muito bom, e eu tenho certeza que fiz isso. Considero que tenho uma boa facilidade de aproximação com pessoas, eu falo bastante, consigo de certa forma cativar - apesar de terem algumas pessoas que me inibem de uma forma que não sei explicar. As pessoas falam que as mulheres têm sexto sentido - eu até tenho a sensibilidade de entender as pessoas, mas eu sou normal dentro do que se espera de uma mulher, entendo mais o lado humano."

🧬 DNA - "Paixão pelo que faz, muita ética e transparência. Eu sou assim, sou muito transparente, demonstro na minha cara se estou gostando ou não de algo - o que é bom e ruim. Além disso, ter uma vontade muito grande de fazer as coisas certas - fazer sem prejudicar outras pessoas, com foco em crescer, retornar, contribuir, entregar a alma. Não gosto de fazer nada pelo dinheiro, gosto de fazer sabendo que vai fazer diferença na vida de alguém - eu com certeza seria péssima para fechar acordos financeiros, sempre ficaria pensando no lado da outra pessoa. E dentro da Baita também temos valores bem fortes. Temos um respeito mútuo muito grande, principalmente em relação à competência um do outro. Nós somos 6 pessoas, e nos respeitamos pela ética, competência, e comprometimento com resultado. Somos uma sociedade de pessoas porque juntos estamos levando a Baita para onde achamos que ela deve ir, respeitamos muito as divergências que surgem no processo."

🔮 Visionária - "O empreendedorismo é a chave para a economia do futuro. Não adianta você pensar apenas em grandes empresas, você tem que pensar em muitas empresas que podem se tornar grandes. Antes, a gente pensava que as empresas grandes eram a solução da economia, hoje a tecnologia e a digitalização nos mostram que é possível levar informação para todo lugar e, por isso, acredito que sem empreendedorismo o mundo para. No que diz respeito à aceleradoras, existe uma linha que diz que a aceleradora vai virar só mais um investidor, mas eu acredito que elas são muito mais. Nós assumimos a posição junto com a startup, como se fossemos parte dela, defendemos o empreendedor. Pessoalmente, não acho que as aceleradoras vão sumir, mas o que está acontecendo é que estamos mais seletivas. E, não podemos esquecer do pedaço do mundo que não vai empreender, que vai ser funcionário. Precisamos investir em treinar os funcionários a se comportarem como intraempreendedores, não apenas executores."

Seleção de Conteúdo

Ouço pouco podcast. Gostava de ouvir na estrada mas com o trabalho online não tive mais este momento.

Livros, tenho paixão por histórias reais, mais especificamente biografias e releituras.

A mais recente foi a biografia de Leonardo Da Vinci, de Walter Isaacson. Um homem fascinante, à frente do seu tempo!

Como contraponto, ainda está na minha memória o realismo fantástico do livro Cem Anos de Solidão de Garcia Marques, que li há muito tempo.